Advocacia colaborativa: como é trabalhar sem hierarquia ou competição?

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Na Casa 20, um espaço jurídico afetivo no Rio de Janeiro, a colaboração é o principal pilar das relações de trabalho e convivência

Se lhe pedissem para listar cinco palavras que representam a advocacia, é provável que você não pensasse em “colaboração”. O que faz muito sentido, já que a área costuma ser muito mais adversarial do que cooperativa. 

Agora, você já se perguntou por que a maioria dos advogados hesita em adotar a colaboração? 

Essa relutância tem raízes profundas e é parte de um processo de doutrinação que se estende ao longo de toda a carreira jurídica. Tudo começa com a ideia de que advogados bem-sucedidos são aqueles que se destacam pela combatividade, agressividade e pela determinação em vencer a qualquer custo. Embora isso seja claramente uma falsa premissa, ela alimenta estereótipos que muitos profissionais acabam incorporando. 

Nas faculdades de Direito, os estudantes são instruídos a evitar erros em vez de buscar soluções criativas; a evitar riscos em vez de avaliar o cálculo de risco/recompensa do cliente; a seguir os precedentes em vez de explorar novas abordagens, a cultivar uma mentalidade individualista em vez de buscar a colaboração; a adotar um vocabulário jurídico destinado a distanciar os advogados do restante da sociedade, incluindo seus próprios clientes, em vez de promover um diálogo significativo.

Por muito tempo, os advogados mantiveram relações assimétricas com outros advogados, clientes e a sociedade em geral. Essa divisão é uma das razões pelas quais a profissão tem resistido à colaboração. 

Os advogados estavam acostumados a determinar as regras do jogo, pois detinham o monopólio do conhecimento jurídico. Eles eram os que decidiam quando, como, por quem, por quanto e sob que condições seus serviços eram necessários, controlando todos os aspectos práticos do envolvimento do cliente, já que eram a única opção disponível. 

Velhas chaves não abrem novas portas 

Essa dinâmica desigual está mudando à medida que os clientes passam a ter mais controle sobre as decisões. Não se pressupõe mais automaticamente que os advogados são necessários para todas as tarefas consideradas “jurídicas”. Além disso, a prestação de serviços já não está rigidamente ligada aos escritórios de advocacia tradicionais.

Os novos modelos de trabalho incluem uma estrutura organizacional mais plana, com um modelo econômico orientado para o valor do cliente, forças de trabalho ágeis, multidisciplinares e diversificadas, além de uma advocacia voltada à prevenção ao invés de somente resolver problemas. 

A colaboração é o futuro

O mundo do Direito, muitas vezes visto como um campo competitivo e individualista, está passando por uma transformação em direção à colaboração, e isso está trazendo benefícios significativos para os profissionais e para a justiça em si:

  • Compartilhamento de saberes: Na área jurídica, a lei está sempre evoluindo e se complexificando sempre. Trabalhar colaborativamente permite que os profissionais compartilhem seu conhecimento de maneira mais ampla e eficaz. Isso não apenas ajuda a manter todos atualizados, mas também melhora a qualidade do aconselhamento jurídico, beneficiando os clientes.
  • Resolução de problemas complexos: Muitas questões legais não têm respostas simples. Colaborar com outros advogados, juristas e com os próprios clientes permite uma análise mais abrangente e criativa de problemas complexos. A variedade de perspectivas enriquece a análise, identificando soluções que poderiam passar despercebidas em uma abordagem mais isolada.
  • Melhoria nas relações profissionais: A colaboração na área jurídica fortalece as relações profissionais entre advogados e clientes. Isso pode resultar em uma atmosfera mais amigável e produtiva.
  • Aprendizado constante: A natureza colaborativa do trabalho jurídico promove um ambiente de aprendizado contínuo. Ao interagir com colegas, discutir casos e participar de equipes multidisciplinares, os profissionais estão constantemente adquirindo novos conhecimentos e habilidades.
  • Impacto social positivo: À medida que a advocacia abraça cada vez mais uma abordagem colaborativa, os benefícios se tornam evidentes tanto para os profissionais quanto para a sociedade como um todo, promovendo um sistema jurídico mais justo e eficiente.

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Casa 20: um espaço jurídico colaborativo

Durante um longo período, fomos condicionados a acreditar que deveríamos nos encaixar em moldes predefinidos, seja na escola ou no ambiente de trabalho. Havia uma pressão constante para aderir ao que já estava estabelecido, sob o risco de sermos excluídos ou substituídos. 

Nesse processo, nossa singularidade e autenticidade gradualmente perdiam espaço e eram forçadas a se esconder e se reprimir para se alinhar com o modelo padrão. Como resultado desse conflito interno, muitas vezes surgiam sentimentos de frustração, depressão e ansiedade, levando a um esgotamento físico e emocional.

Na contramão de uma lógica normatizadora, iniciativas coletivas vêm ganhando espaço. O trabalho colaborativo surge como opção para gerar bem-estar aos indivíduos e prosperidade para o grupo

Uma destas iniciativas é a Casa 20, um espaço jurídico afetivo que agrega os escritórios Fernanda Guerra Advocacia, ABR Bicalho Advogados e Daniela Griner Advocacia, além de ser sede física da SER – Sustentando Elos Reais. Um local que acolhe clientes que buscam por serviços jurídicos personalizados, regenerativos e preventivos. Cada escritório atua em seus próprios casos, com total sigilo e customização. 

A colaboração entre os escritórios acontece na soma de conhecimentos técnicos e na criação de um espaço físico que permite a segurança e o acolhimento de todos – advogados, clientes e da comunidade em geral. 

É essa noção que nos permite estar em parceria. Abraçar a lógica da colaboração possibilita a ampliação da nossa percepção de mundo, gerando empatia e prosperidade para todos.  

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